sábado, 19 de dezembro de 2009

Dia 16 de setembro

Chegamos no centro de Florença. O ônibus nos deixa numa praça própria para estacionamento das excursões. Uma guia local nos aguarda e caminhamos a pé pela cidade. Que jóia de cidade!!!!. A porta do Paraiso é magnífica, resplandece juntamente com o Duomo da Santa Maria do Fiore. A Catedral de Santa Maria del Fiore repete a concepção de Pizza onde batistério, torre e catedral estão em blocos separados. Toda de mármore se impõe.





A porta do Paraiso é de Lorenzo Gilberti e representa antigas histórias do Antigo Testamento. E’ toda em ouro e faz parte do Batistério dedicado a São João Batista, padroeiro da cidade. E’o prédio mais antigo da cidade provavelmente do século V.



Abaixo a piazza Santa Maria Novella.




A Praça da Signoria. Florença parece sussurar segredos.






Palacio Vecchio  e abaixo a Ponte Vecchio




Mas, parar e escutar está difícil, pois existem muitas coisas a serem apreciadas. O conflito se estabele entre apreciar as obras de arte exteriores e os interiores com obras de arte. Quero tudo apreender. Sim, fatalmente terei que aqui voltar e compreender o que esta cidade tem a me dizer de tão importante. Gostaria de ficar mais alguns dias aqui para admirar com mais tranquilidade. Mas, não dá. Florença, coração de uma civilização foi o primeiro núcleo de riqueza e importância museológica no mundo. Surgiu na época pré-romana, sob as margens do Arno. O nome homenageia a deusa Flora e simbòlicamente refere-se à florescência. O lírio até hoje é o emblema da bandeira e do estandarte.

Vamos ver o “Davi”de Michelângelo. Fila para entrar. Aproveitamos e visitamos toda l’Accademia.. Estou com as mexicanas que já conseguemse divertir e interagir comigo e a brasileira sempre na dela. Depois uma chuva fina inicia e nos acomodamos dentro de um local para comermos. Mais pizza al taglio e capuccino. Encontramos uma espanhola viúva que nos conta sobre um romano que queria dar o golpe do baú. Entendi apenas o sentido da conversa porque falava rápido com as mexicanas em espanhol. Descobri que é uma cidade onde estrangeiros vão aprender o italiano porque não se tornou industrial tal como Milão ou Turim.


































Em seguida fomos para os Uffizi onde enfrentamos uma longa espera. Vários artistas reproduzem partes da cidade inclusive a Ponte Velha. Alguns fazem caricaturas. Os preços são caros. Sim, aqui dentro tudo é admirável.





Voltarei. Voltarei, voltarei. Já levo saudades comigo. Compro um livro sobre Florença que continua a florescer. Não estava ainda com a máquina e não tirei fotos. Elas estão todas gravadas na minha retina. O Mirante fica para a próxima vez. Será que existirá a próxima? A pintura  abaixo de Botticelli sempre me encantou. Representa a estação em que nasci no Brasil. A Primavera. Não tenho que me emocionar?


Fim de tarde. O sonho por hoje terminou. Adeus ao centro de Florença que também possui belas lojas de griffe. Tudo muito caro. Pegamos um ônibus que nos devolve ao hotel. Banho e por que não comer uma bela pasta? Concluí pelo risoto com um vinho para variar. Um belo banho para relaxar e neste momento sinto falta das meninas e de dividir com alguém minha experiência. Vera não chore, você já se emocionou muito hoje. Mas, que eu volto, eu volto. Vocês querem vir comigo? Aliás, se algum dia me procurarem e não me encontrarem, lá estarei.




domingo, 13 de dezembro de 2009


Foi em Veneza o único hotel que precisei dormir ao contrário porque o colchão estava deplorável. Todo torto. Aliás é o primeiro hotel aqui que me deparo com uma cama de solteiro. Há quanto tempo durmo em cama de casal mesmo só? Dormi ao contrário. O fato é que durmo e pesado. Estamos agora no ônibus rumo à Pádua.Tento me enturmar com a brasileira que parece sempre estar de mal humor. As mexicanas me acolhem, mas não fazem o menor esforço para compreenderem o portugues. Soube que uma delas ontem torceu o pé na gôndola e que este está preto. Pergunto se quer um anti-inflamatório. Sua irmã fala que não precisa. Boa sorte Vera.

Estou agora em Santo Antonio de Pádua. A igreja é majestosa, mas pensei que fôsse mais. Mesmo assim faço meus 3 pedidos e compro uma imagem dele. Para uma amiga também. Rezo para variar um pouquinho para meus filhos, nora e genro e netas. Peço saúde e paz para todos os meus amigos e que me dê trabalho para a vida inteira. Ele carrega uma criança. E não é o que faço?
A Basílica de Santo Antonio de Pádua (Sant'Antonio da Padova) é a maior igreja de Pádua, Itália. Embora receba peregrinos de todo mundo, não é Catedral da cidade. O Basílica é conhecida como "il Santo". A Basílica de Santo Antonio em Padova, Itália, é administrada pelos Frades Franciscanos Conventuais (OFM Conv).

A construção da basílica deve ter começado em 1238, sete anos após a morte de Santo Antônio de Pádua. Foi concluída em 1310. O santo, de acordo com seu testamento, foi enterrado na pequena igreja de Santa Maria Mater Domini e perto de um convento fundado por ele em 1229. Essa igreja foi incorporada à atual Basílica com o nome de Cappella della Madonna Mora (Chapel da Madonna Escura). (Wikipedia)

Continuamos nosso caminho e gostaria de ficar nesta praça por mais tempo. Não dá. Cruzaremos os apeninos. Apeninos são bonitos. Toda terra é plantada. Percebe-se que o que não está plantado foi arado e está pronto a ser. Não consigo dormir e presto atenção a todo detalhe. No ônibus muitos dormem e pergunto-me. Como conseguem? O almoço acontece num self service. Comida razoável. Na parte de baixo um mini mercado repleto entre outras coisas de livros em italiano de Paulo Coelho.Compro um vinho pelo preço baratíssimo para comemorar a chegada em Florença.


Chegamos em Pisa. Tomamos um ônibus que nos levará até ela. São poucos minutos, mas quanto turistas? Aquela torre é surpreendente, inclinada que não cai. A torre separada do batistério e da igreja. Primeira explicação . Não podiam entrar na igreja os que não fossem batizados. Mas e aquela torre inclinada. Fiquei toda arrepiada, mas não tive coragem de lá subir.

A Torre Inclinada de Pisa ( Torre pendente di Pisa), ou simplesmente, Torre de Pisa, é um ou campanário autônomo, da catedral da cidade italiana de Pisa. Está situada atrás da Catefral, e é a terceira mais antiga estrutura na Praça da Catedral de Pisa (Campo dei Miracoli), depois da Catedral e do Baptistério.

Embora destinado a ficar na vertical, a torre começou a inclinar-se para o sudeste, logo após o início da construção, em 1173, devido a uma fundação mal colocada e ao substracto solto que permitiu a fundação mudar de direcção. A torre actualmente se inclina para o sudoeste.

A praça é maravilhosa, o que estraga são os camelots que vendem de tudo mas que salvaram meu corpo da chuva. Comprei um guarda-chuva. De onde? Veneza...E um pinóquio para as minhas netas. Haja pinóquios.

Ainda com tantas emoções rumamos para Florença ondee nos aguarda um belo jantar. O hotel fica na periferia. Mas, depois de um bom vinho e uma bela pasta o melhor a fazer é dormir. Por curiosidade liguei a televisão e como eles falam... Não entendo a maior parte, mas é um concurso de resposta. Tomo um banho e cama,Vera. Amanhã teremos mais. Haja coração.

Lembro-me de Guimaraes Rosa: “ O senhor escute meu coração, pegue no meu pulso. O senhor avista meus cabelos brancos... Viver – não é? _ é muito perigoso? Porque ainda não se sabe. Porque aprender- a-viver é que é o viver mesmo.”




sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

VENEZA

14 de setembro de 2009


Tomamos café e converso com algumas pessoas que ontem estavam no avião. O casal de mexicanos não sei o porquê fica frio diante minha presença. O ônibus nos espera para irmos à Veneza. Sempre alguém demora. A guia Ana é uma pessoa super delicada e atenciosa. Mora na Espanha, mas acho que é italiana. Elogio a coruja que tem no seu blazer e ela comenta: por que os brasileiros gostam de corujas? Porque é o símbolo da sabedoria, respondo eu. Está sempre com a deusa da Justiça. E falo baixinho. “Ela consegue ver no escuro o que ninguém percebe.” Ela ri.
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Todos a bordo, rumo Veneza. Primeiramente é necessário tomar uma embarcação. Lá vamos nós. Começa a chover fino. Estamos agora em Veneza. Andamos pelas ruas ao lado do cais com não sei quantas embarcações. Camelots me seduzem com as suas máscaras. Levo um guarda chuva e preciso abri-lo, a chuva nos respinga. Conheço uma brasileira que mora no Rio. Jovem, mas meio séria e emburrada demais para meu gosto. Protejo-a com o guarda chuva. Todos compraram capas durante o dia para se abrigarem. Eu também na parte da tarde. Mas, a maldita que me custou cinco Euros rasgou toda. Estamos agora na Praça de São Marcos que é lindíssima.

A Praça de São Marcos (em italiano: Piazza San Marco é a única praça de Veneza e é seu principal destino turístico com permanente abundância de fotógrafos, turistas e pombos. Atribui-se a Napoleão Bonaparte, embora muito provavelmente o deva fazer-se a Alfred dew Musset a autoria do epíteto de le plus élégant salon d'Europe (o salão mais belo da Europa). Também é o único grande espaço urbano numa cidade eurppeia onde as vozes das pessoas se impõem sobre os sons do tráfego motorizado, o qual está restrito aos canais da cidade. (Wikipedia)












Pena tantos turistas. Mas estes alimentam Veneza assim como os pombos. A praça tem sido sempre o centro de Veneza. Foi o local onde se deram todos os importantes eventos da história da República de Veneza e é a base do arcebispado desde o séc. XIX. Foi o foco de muitos festivais e é um lugar imensamente popular. Pena não ser Carnaval. A Praça de São Marcos é o lugar mais baixo de Veneza, e quando a água sobe no Mar Adriático por tempestades ou excesso de chuva é o primeiro lugar que inunda. A água drena diretamente para o Grande Canal, o que é ideal quando chove, mas quando a maré sobe (em italiano, diz-se acqua alta) tem o efeito inverso, e a água do canal escoa para a praça.

Ana nos explica sobre o relógio de Veneza, e a praça. Tudo me surpreende. A chuva nos incomoda. Veneza está rodeada por água, fica melancólica e triste. Não a acho romântica.Não existem muitos lugares para nos abrigar. O Forte do Relógio, construído por Codussi entre 1496 e 149 é um dos monumentos arquitetônicos mais fotografados de Veneza.




O enorme quadrante situado sobre a porta de entrada da torre é uma obra-prima mecânica do final do século XV, construído por Giampaolo e Giancarlo Ranieri, artistas nascidos em Parma. O engenhoso aparelho indica as estações do ano, as horas e as fases da lua. Não consegui entender o relógio que não marca todos os minutos.







Essa minha vontade de ir ao banheiro me irrita. Falo com Ana para me esperar e procuro um café. Na volta, ninguém lá. Sinto-me abandonada. Percorro à minha volta e nada. Melhor procurar onde existe o embarque dos passeios das gôndolas. Lá vou eu sem fôlego pretendendo recuperar o tempo. Mais máscaras me seduzem. Mas, não posso parar. Chego no embarque e lá está Ana preocupada dizendo que me procurou, etc e que o pessoal já foi e se quero ir. Contacta uma amiga sua de outro grupo. Aguardo alguns minutos e eles chegam. Sou colocada com dois casais mais velhos de portugueses com uma menina, neta de um deles. Esqueço meu guarda chuva no cais. Subimos na gôndola e uma das mulheres é muito gorda. A cada mexida dela temo parar dentro desta água suja. Assim que saímos uma chuva forte cai e um dos senhores divide comigo um plástico. Passamos pelo grande canal e pelos canais menores. O trajeto é um só para todos, embora haja gôndolas mais suntuosas, com almofadas, cobertas, e algumas italianos cantam melodias românticas. Eles fazem o possível para tornar mais aprazível o passeio. São simpáticos, não têm culpa se chove. O turismo é o ganha pão deles. Rimos também muito da situação. Falo com o casal que jamais nos esqueceremos deste passeio. Eles concordam. Os japoneses aproveitam e pagam as mais caras. No meio do caminho como a chuva insistia a mulher portuguesa gorda exclama tranquilamente: “Ah meu Deus, já estás a molhar o rabo”. Diante disto eu, surpresa, começo a rir.






Iremos passar por uma das diversas Trattorias existentes à beira dos canais. Alguns hoteis muito luxuosos também têm a entrada pelo canal. Passeio bom , embora curto e a chuva tenha atrapalhado. Salto e recupero meu guarda chuva que no vento se espatifa. Encontro à 13:45 para a almoço. Parece que todos os turistas na Praça São Marcos.







 Aproveito para entrar na Basílica de São Marcos.





Mais uma vez faço meus 3 pedidos.Como tudo era tão especificamente detalhado e ... A tecnologia da informática não existia. Mas, que esmero!!! Lembro-me da Stela. “E’ impossivel ver tudo. Não fôsse as pinturas, os tetos, as paredes. “AH, meu Deus! E’muito. Tudo na Europa é muito”.

Sim, é muita coisa e pouco tempo. Nem por isso deixei de comprar minhas máscaras. Uma azul, meio rosto e outra branca com rosto de mulher dourada. Comprei também um pingente.
Fomos almoçar, reencontro casais de portugueses que riem quando veemA comida é’ tipo quilo aqui do Brasil. Mas, o risoto de lulas é imperdível. Querem provar?

Depois do almoço fábrica de Murano. Uma sala pequena no meio daquelas vielas. Um forte forno e um homem de uns 50 anos a fazer rapidamente um jarro e depois que lindo!!!. Um cavalinho com a patinha erguida. Como ele consegue? Aplaudimos e compro um brinco e um pingente. Pronto. Atacou o consumo. Depois, um chaveiro com uma máscara.

O resto do dia a perambular pelas ruelas de Veneza. Um gelato é boa pedida. Procuro comprar minha máquina digital, mas acho ainda caras. Tudo aqui é mais caro porque vem tudo de fora. Lojas de griffe convivem com outras que vendem toalhas lindíssimas. Quase compro uma, mas, é melhor não. O povo é muito bonito e os gondoleiros muito alegres, por vezes entoam músicas românticas. . Mas, será que não se parecem com os cariocas no desfile da escolas de samba? Não representam para o sustento?

Na entrada da praça existem duas colunas, uma possui no alto um leão alado, símbolo da cidade. e há a lenda que se passarmos por entre elas uma desgraça acontecerá. Falo isto quando compro minha máscara azul num mixto de ingles, frances e espanhol para o vendedor. Que os turistas não respeitaram esta lei, por isto chove. Ele ri e aplaude. E embala minha máscara muito bem.



Visita ao palácio Ducal. E vista panorâmica de Veneza. Lá de cima vê-se a cidade inteira. Bonito é. Mas, insisto que Veneza é melancólica. Também vejamos. Água significa emoção e inconsciente. Cercada por tanta água... Lágrimas correm porque está a depender de turismo.






Os venezianos estão deixando a cidade e morando no continente porque os imóveis são caríssimos. Entendi porque não ficamos em hotel em Veneza e sim no continente. Os venezianos estão saindo da cidade e se queixam que o transporte de barco o vaporetto fica difícil devido aos turistas. Entendi agora porque Veneza precisa ser romântica... Para sobreviver com os turistas...  Voltamos no final do dia. Se os venezianos não estão consguindo viver em Veneza entendi porque não tive vontade de lá morar. Agradeço a oportunidade de ter conhecido você Veneza.


domingo, 6 de dezembro de 2009

Quartier Latin


Dia 13 de setembro de 2009

Hoje acordo e estou só. Arrumo a mala, e a deixo na recepção. Meu vôo para Veneza sai à tardinha. Resolvo ir ao Quartier Latin. Sonho meu de adolescente. Vocês já perceberam que já sou uma expert no metro? Aliás, repito o sistema ferroviário de Paris é fenomenal. Quisera eu que no Brasil dessem a importância devida a este meio de transporte. Depois das aulas da Marina e tantos emaranhados a gente aprende. Algumas linhas de Paris são mais velhas com vagões mais antiquados, outros já modernos as portas se abrem e fecham sem a nossa ajuda. Não são limpos como os do Rio. As estações se cruzam e para trocar a linha por vezes anda-se muito. A gente sobe para depois descer, esteiras rolantes aparecem e haja pernas. Por isso o francês é magro. Todos andam apressados, alguns correm, levam crianças em carrinhos, malas, cachorros. Agora mesmo entrou uma moça bonita e magra, francesa, com um aparelho de som. Ela o liga e inicia a cantar. Salto na estação seguinte. Mas, isto é comum. Acordeão, pessoas que pedem esmolas e outras que não dizem nada com nada. Muitos argelinos e asiáticos. Quase não se vê franceses em algumas horas.

Hoje é domingo e as lojas estão fechadas. De repente uma forte dor de barriga. Procurar uma cafeteria. Mas, eis que olho para cima e estou defronte do hotel Du Levant que amigos meus falaram e que tentei reservas, mas estava lotado. Mais uma vez uma forte emoção toma conta de mim. Resolvo meu problema dos intestinos e vejo que o hotel é delicioso. Época antiga. Não vi os quartos, mas tudo bem. E’ claro que as fotos apresentam maior so que é. Mas, muito limpo e a diária para uma pessoa em cama simples pode ficar em 73 E.




Passaremos um tempo sem fotos porque ainda não comprei a câmera digital. Percorro todas as ruas e ruelas, vejo o que têm a oferecer para o almoço. Não consigo parar e estou em Saint-Germain Du Près. E lá vou eu até que a fome me abate e escolho um local onde como agora confit de canard (coxa do pato). Uma delícia. Sinto-me a própria francesa enturmada com os manjares, vinhos e a língua. Brasileiros do Paraná chegam no restaurante e diante do cardápio não sabem o que pedir. Aconselhei-os a pedir o confit. O garçon fala comigo que eu não terei direito ao pourboire (gorgeta). Por vezes brasileiros ainda são confundidos com argentinos. Antes era a terra do Pelé. Agora do Kaká e do Paulo Coelho. Aliás, por todos os lugares que passo vejo livros dele. Eu rio e volto ao hotel para esperar o ônibus que nos levará ao aeroporto. Antes como um éclair au chocolat. Eu que não gosto de doces adoro os éclairs au chocolat. Estes são divinos... Querem provar?

Volto ao hotel e no saguão aguardo o horário do vôo. Um programa francês de pegadinhas me diverte. Um casal de brasileiros não entende porque rio tanto. Até que percebem que existe uma televisão. Eles não estão se divertindo. Mas, o que fazer?...Casais com o tempo tornam-se alguns sérios. São simpáticos.

O ônibus nos pega e nos larga literalmente num terminal horrível do Charles de Gaulle. Não podemos entrar logo porque não tem banheiros nem água. A polícia federal é  extremamente agressiva conosco. Inclusive manda que eu retire meu doleiro da cintura e conta o dinheiro. Algo na mochila apitava. Deve ser o pendrive penso eu.

O lunch no vôo é pago. A tripulação italiana simpática. Saltamos em Veneza e rumamos para o hotel que não fica na ilha. Estamos no continente como eles chamam. Fico um pouco decepcionada por não andar nas ruelas de Veneza. Mas, a fome está maior e todos procuram uma pizzaria que fica por perto. Encontro nas ruas com um casal mexicano que estão na excursão, professores de matemática. Jantamos a deliciosa pizza com vinho e depois rumo ao quarto para dormir. Amanhã iremos conhecer Veneza. Respirem fundo que sempre acontecem surpresas...

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Versailles

Dia, 12 de setembro de 2009 ou Versailles

Um pouco de desencontro, pois Ingrid estava noutra saída do metro. Não importa. Marina sempre orientada nos conduz. Tomamos o trem _ a malha ferroviária de Paris é surpreendentemente eficaz, combinando trem, metro _ e Ingrid que veio com a amiga italiana Simona não para de falar. Tento me entender com Simona, e rimos muito. Descemos em Versailles e dou um pouco de trabalho para a Stela, pois essa minha necessidade imperiosa de ir ao banheiro faz com que ela me espere e se afaste do grupo. Mas, depois nos encontramos.


 Abaixo eu e Simona tentando nos entender. A comprida lá atrás é a Ingrid. Felizes tiramos uma foto juntas e diremos para os amigos que ficamos no hotel abaixo.


O portão de Versailles ( aqui no Brasil algum político já teria levado para sua mansão) que significa o Rei Sol que brilha com tanto ouro. Foi Luis XIII que iniciou a construção em 1623. seria um pequeno alojamento de caça. No entanto seu filho Luis XIV o transformou no maior de todos os castelos. A equipe responsável constituiu: Le Vau, o arquiteto, Charles Le Brun o decorador e André Le Nôtre, o paisagista. O estilo é barroco. Em 1682 viviam no palácio 5000 nobres (podendo o número subir para 100.000 com os que chegavam. Havia 12.000 cavalos. A construção? Mais de 100 milhões de libras francesas e por ordem do rei todos os recibos foram queimados. A galeria dos espelhos nos surpreende com seu tamanho. Ficamos sem fôlego...




Pátio de Honra do Palácio





Em 1837 foi transformado em Museu.

















Depois de tudo visto percorremos os jardins. Que suntuosidade. Dá para entender porque houve a Revolução. Não comemos croissant, mas uma baguette deliciosa com fromage, e presunto cru. Peço uma cerveja super gelada e Stela também que fica mais alegre. Telefono para o Brasil e Dani , minha filha atende. Que voz é esta? Pergunto. Esqueci-me que hoje sábado e deve ser 7 horas da manhã no Brasil.




Estou feliz? Patinando de alegria. O título que Stela deu é de volta aos estábulos. Estamos de retorno. Passamos pela cidade. Pegamos o trem e para onde vamos? Elas decidem Montmartre. Uma outra amiga da Stela chegará da Bélgica para encontrá-la.

















Sim, descemos em Montmartre e procuramos o terminal do fonicular. Não encontramos. Subimos tudo a pé. E lá está ela, a igreja de Sacre Coeur. Antes de entrar eu sento e tomo fôlego. Como consegui subir isso tudo? Olhem a minha cara de desalento...












Estou sentada por aqui para recuperar as energias antes de entrar na igreja. Estão me vendo?

A basílica está localizada no topo da montanha de Montmartre o ponto mais alto da cidade. A idéia de construir um templo dedicado ao Sagrado Coração surgiu depois da guerra Franco-Prussiana ( 1870), como pagamento da promessa feita por Alexandre Legentil e Hubert Rohault de Fleury de erguer uma igreja caso a França sobrevivesse as investidas do exército alemão. O estilo é marcado por influências românicas e bizantinas. Muitos elementos da basílica são baseados em temas nacionais: o pórtico, com três arcos, é adornado por duas estátuas de Santa Joana D;Arc e do rei São Luis IX; e o sino de dezenove toneladas (um dos mais pesados do mundo), refere-se à anexação deSavoy em 1860.

A construção começou em 1875 e foi concluída em 1914, embora a consagração da basílica tenha ocorrido apenas após o final da Primeira Guerra Mundial.

Sacré-Cœur está construída em pedra de travertino obtida no Château-Landon (Seine-et-Marne), França.. Esta pedra constantemente dispersa cálcio, o que garante a cor branca da basílica mesmo com as chuvas e a poluição.”

Mais uma vez os três pedidos. Que os corações procurem o Amor e não o poder embora as igrejas fossem construídas para demonstrar as vitórias e o Poder. Acendo uma vela e rezo mais uma vez para a saúde, paz e amor de todos que me cercam. Mais uma vez emociono-me e agradeço ali estar. Principalmente porque a juventude me trouxe até aqui e me acolheu. Não sou uma pessoa feliz?

Vista espetacular de Paris.


E depois de tudo Stela argumenta: as pessoas espertam descobrem o “funiculaire” para subir e não para descer como estamos fazendo.Elas continuaram o caminho. Aliás essa aqui é Esmeralda que convidou Stela para ir ao bistrô do Louvre e ela não sabia como atender a todos. Nos separamos e estou em Montmartre recuperando as energias e vendo o movimento de um sábado com artistas de rua .




Gostei de Montmartre. Depois retorno ao hotel e volto a apreciar o maigret de canard ( é o peito do pato assado e fatiado . Stela e Marina me disseram que iram dar uma volta no Champs Elysées porque amanhã irão para Frankfurt e eu para Veneza. Até amanhã.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

PARIS


Nem pensei que era dia 11 de setembro. Saimos pela manhã com a excursão para uma visão panorâmica da cidade. Tento me enturmar com pessoas – mulheres da minha idade, mas como reclamam... Elas são azedas... Paris está em obras, diz uma. Não suporto mais viajar diz a outra. Não gosto de fotografias. Gostaria de estar aqui com meu marido que faleceu há 4 anos resmunga a outra.. Vamos deixar isso de lado e curtir.

A viagem panorâmica está sendo boa para nos situarmos na cidade. Daí para a frente tudo fica mais fácil Passamos por vários pontos importantes, mas o que gostaria de assinalar que tudo é majestoso. Passamos pelo Arco do Triunfo, Hotel des Invalides, Musée Pompidou, de l”Órangerie, etc, etc,

Após o tour, decidimos ir ao Louvre, mas antes comemos algo por lá mesmo. Foram 5 horas de trajeto. Eis alguns momentos. Mostrar o Louvre impossível é. Só indo lá. Ele abriga antiguidades orientais, egípcias, gregas, etruscas, romanas. Pinturas francesa, italiana, espanhola, inglesa, artes gráficas, esculturas, objetos de arte. Uma parte abrange África, Asia, Oceania e Américas. Deixo aqui um pouco do que me emociona.









A escultura  representa a Descida da cruz e foi esculpida pelos franceses no século XIII.





Depois temos a figura de “Psyché ranimée par le baiser de l ‘Amour” _ Psiché reanimada pelo beijo de Amor. Parece conto de fadas... Todas as princesas não acordam com o beijo do príncipe? Será que ainda acredito nisto? Mas, vejam que beleza!!!... Vocês sabem o que significa Psiché?...


Abaixo temos a conhecida Venus de Milo. Ela é uma famosa estátua grega que representa Afrodite, a deusa grega do amor e beleza física. Em Roma é conhecida como Vênus. Possui 203 cm de altura e data de cerca de 130 a.C.. E’ uma escultura em mármore e parece ser de Alexandros de Antioquia. Em 1820 a escultura foi encontrada na ilha de Melos, no Mar Egeu, por um camponês chamado Yorgos. Escondeu-a das autoridades mas foi descoberto mais tarde pelos oficiais turcos, que apreenderam a escultura. Um oficial naval francês, Jules Dumont d'Urville, reconheceu seu significado e arranjou para uma compra pelo embaixador francês na Turquia, o Marquês de Rivière. Após algum reparo, a estátua foi presenteada ao Rei Luís XVIII, que eventualmente presenteou-a ao museu do Louvre.




Vejam bem nasci sob o signo de Venus e sempre que pude usei Afrodite para me autonominar, esta palavra existe?


Um exemplo egípcio...Gostaram???

















Como pintura não podemos deixar de citar a Mona Lisa.





Mas, vejam abaixo o jogo das mãos e dos olhares onde a criada entende a cumplicidade entre a mulher mundana e seu amigo. E’ uma pintura de Georges de La Tour por volta de 1635 e chama-se o Batoteiro. O que significa batoteiro? Preciso procurar...



Na época existia um provérbio que dizia “ O amor, o vinho e o jogo perderam mais do que um homem”.







Os turistas invadem, sobretudo os japoneses com sua câmeras super potentes a devorarem a cultura ocidental. Stela fala: _ vamos logo antes que eles não nos deixem ver. Aliás por toda parte turistas parecem formigas. Marina começa a ficar de mau humor porque quer passear nas ruas. Ela não gosta de pinturas. Aprecia as esculturas. As duas se entendem e eu falo que se quiserem ir depois a gente se encontra. Mas, vimos o que nos agradou. Claro está que precisaríamos de mais dias. Mas... Encontramos o local de vendas e comprei um guia de visita do Louvre em português. E’ claro que depois de irmos ao banheiro folheando-o deparei-me com um quadro que adoro e não tinha visto. Darei o nome a ele de ironia do destino. As meninas ficaram curiosas e voltamos boa parte do caminho. Mas, não o encontramos. Bom, já tenho um bom motivo para voltar a Paris. Vê-lo. Vocês estão curiosos? Ele retrata a ironia. Assim diz o texto do manual : À direita, Gabrielle d’Estrées, amante de Henrique IV, no seu banho, acompanhada provavelmente da sua irmã, a duquesa de Villars. Esta belisca entre os seus dedos o mamilo de Gabrielle: este gesto, codificado, faz alusão ao nascimento do duque de Vendôme, em 1594, fruto dos amores do rei e de sua amante. Esta última tem na mão esquerda um anel como prova de amor”.




As meninas riem porque digo. Calma aí, eu não gosto de peitinhos. Também desconhecia que era um gesto simbólico. O quadro é da Escola de Fontainebleau. Mas, não é irônico?










Este não sei de quem é. Foto da Stela. Já naquela época eles sabiam que isto existia?














E que tal esta? Não terminamos todos nós sendo degolados pelo sistema? Ou então pelos conflitos e emoções? A cabeça de São João Batista (Guido Reni).




O Louvre situa-se num pátio quadrangular projetado por Pierre Lescot para servir de palácio para Francisco I, rei que introduziu o Renascimento na França. Assim, o Louvre é o ilustre representante do genuíno classicismo na França.






Vocês reconheceram o meu casaco? Pois é. Sou eu que de tão cansada me escondi. São os jardins do Louvre.



Depois de um breve descanso continuamos nosso caminho pelas margens do Sena e chegamos até o Jardim de Luxemburgo. Passamos pela casa de Voltaire. Lembro-me do meu pai que adorava Voltaire. Lembro-me de tanta coisa... E lá vamos nós. Como andamos... Chegamos ao Jardim de Luxemburgo e estou exausta. Fico sentada num banco enquanto as meninas o percorrem. Elas voltam e falo que voltarei para o hotel. De jeito nenhum. “Combinamos com a Ingrid de nos encontraremos à noite na Tour Eiffel” argumentam. Esta é uma amiga que está vindo da Itália para curtir Paris. Ela também é brasileira. Nem sei como consegui chegar até lá. De metro é claro.
Muita gente procura subir. Entramos numa fila, e no segundo andar um vento frio nos açoita. Ainda bem que trouxe echarpe e casaco. Não entendo como elas suportam tanto frio. Compro uns descansos de copo com fotos de Paris. Não me arrependo. E’ linda a vista de Paris iluminada.




Emigrantes negros vendem chaveiros e réplicas da torre. Não agüento mais vê-las. A polícia surge e eles saem correndo. Tal qual no Rio penso eu. Descemos e esperamos a Ingrid com sua amiga que finalmente chegam.. Vieram de uma cidade pequena da Itália. São enfermeiras e divertidíssimas. Vocês já pensaram se eu estivesse com aqueles trastes mal humorados?

Comemos um crepe e lá ficamos para elas colocarem o papo em dia. Procuro um lugar para sentar e lembro-me do dia anterior que caí perto daqui. Apresentações com malabarismo com tochas de fogo acontecem nessa praça. Tudo muito incrível. Um país do Primeiro mundo que atualmente precisa suportar coisas do Terceiro mundo.

Ingrid fala que não irá dormir. Mas, rumamos nós ao hotel depois de termos combinado ir a Versailles amanhã . Encontro no metro às 9;00 da manhã. Devo dizer que neste dia parecia uma velha a arrastar os pés. Só os pés. A cabeça a girar cheia de emoções.